Quanto vale a realização
de um sonho? Só aqueles que já tiveram
seus desejos concretizados, sabem que para a realização
de um sonho, não se medem os esforços e
não se vêem os obstáculos.
Foi nesse ritmo de aventura e invocando o espírito dos pioneiros, que
eu decidi montar na bicicleta e desbravar Brasília, a capital do Brasil
em pleno coração do planalto central.
O sonho de
conhecer a capital federal, vem da infância. Por muito tempo,
eu acalentei e balancei-o nos braços, como se faz com uma criança.
Tal como uma criança, o sonho cresceu, fortaleceu-se, chegou o momento
de
realizá-lo.
A parte mais difícil da viagem, foi marcar a data e sair no dia marcado. É incrível!
Por mais que eu quisesse, impossível! Havia sempre um imprevisto, que
obrigava-me adiá-lo para o dia seguinte ou até depois. Alguém
já disse que toda grande viagem começa com o primeiro passo. A
minha começou com a primeira pedalada. Daí por diante, foram 3.060
quilômetros de pedal, durante 19 dias, por estradas infinitas e sempre
viajando em solitário na busca do tal sonho brasileiro.
Em certos trechos da estrada, de repente surgia paisagens e cenários estonteantes.
Parava, descia da bicicleta e fotografava. Que lugar lindo! Click! Click! Em
outros trechos, enquanto pedalava, imaginava-me como os pioneiros, desbravando
o velho oeste brasileiro. Nessa hora eu cantava mentalmente: “ A minha
vida é viajar por este grande país, para ver se um dia, eu descanso
feliz...” se eu alcancei o tal sonho, leia o resto para saber.
A aventura aconteceu em janeiro de 2007, fruto de um planejamento que durou 10
anos. A viagem de ida durou 10 dias, 1 dia para cada ano de organização.
Nos 3 meses antecedentes à viagem, preparei-me fisicamente, praticando
corrida de 10 quilômetros em 1 hora. No final do treinamento, havia corrido
mais de 300 quilômetros e emagrecido 6 quilos.
A viagem foi
muito boa! Pois tive a oportunidade de conhecer de perto o relevo dessa parte
de Brasil. O sul do Piauí é muito bonito, todo recortado
por serras, encarpas e com uma vegetação ainda exuberante e vistosa.
Na cidade de Gilbués, a estrada corta a região onde
há um processo lento de dissertificação. Os trechos de cerrado
nativo e as chapadas goianas foram os lugares mais bonitos.
Para realizar
esta aventura, contei com o apoio e patrocínio de alguns
amigos e empresários. Escolhi uma Montain bike marca Trek de 24 velocidades,
cujos problemas mecânicos durante a viagem se resumiram à 3 pneus
furados que logo foram remendados. Levava na garupa apenas o essencial. Uma lona
plástica, capa de chuva, jogo de chaves hallen, poucas peças de
roupas, leite em pó, chocolate em pó, uma garrafa de mel e uma pequena bíblia
do
novo testamento, contendo os salmos e os provérbios.
9 dias foram os dias de minha estadia na capital da república. No penúltimo
dia, véspera do meu retorno, dei uma entrevista ao repórter João
Campos do jornal correio Braziliense, cuja reportagem foi publicada dois dias
depois de minha partida rumo à Anísio de Abreu, numa matéria
de mais de meia página.
A viagem chegou ao seu final e tudo transcorreu bem. E de Brasília, ficou
na memória, lembranças de uma cidade futurista.
Como lição dessa aventura, cheguei à seguinte conclusão
: “ O que nos tornam tão limitados é o tamanho de nossa esperança”.
Somente Deus é o único absoluto.
Noé Ribeiro Neto
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